Cleide Regina Scarmelotto - Uma poeta apaixonada por pessoas, animaizinhos, flores, praias, mar, natureza de um modo geral e poesias, vivo intermináveis paixões e emendo uma paixão na outra.

Aos 8 anos de idade escrevi meu primeiro poema para meu avô "José Cândido Ribeiro", que estava em estado terminal de câncer no pulmão. Com a mesma idade, já montava peças teatrais para apresentar junto com às amiguinhas e os pais. Aos dezesseis anos, membro atuante ao grupo de poetas, da Academia Juvenil de Letras Monteiro Lobato no centro velho de São Paulo.

Em 1990, convidada pelo Governador Orestes Quercia a dirigir oficina poética na: casa "Mário de Andrade" e "Oficina da Palavra" na Barra Funda. De 1988 até 1998. participei de Inúmeras oficinas poéticas na Editora Scortecci em Pinheiros. tornei-me membro da UBE: "União Brasileira de Escritores".

Em 1996 estreei no Teatro Municipal Nelson Rodrigues de Guarulhos com a peça Teatral Sinto Muito - apresentada pelo grupo Mantra de Teatro do diretor Warley Pugliesi, fazendo assim, a campanha do agasalho em Guarulhos, pois a entrada era um agasalho. A peça também ficou em cartaz no Teatro Albino César e no audirtório Biblioteca Municipal de Tucuruvi.

No ano 2000 o programa da comunidade judaica Mosaico Na TV me homenageou com o Jornalista Fábio Grabarz recitando meus poemas. Em 2001 escrevi um romance chamado: Uma Terapia para Deus . EM 2003 escrevi o romance chamado :Telepatia. Em 2004 lançei o livro atualmente esgotado chamado Amar Ainda Vale A Pena. Atualmente lançando novamente o livro Amar Ainda Vale A Pena pela editora biblioteca 24X7.

Meu Blog Pessoal: http://amaraindavleapena.blogspot.com/

AINDA É TEMPO

Ainda é tempo de não ferir.
De amar verdadeiramente, aprender a se amar
Tempo de plantar, renovar, se cuidar e conseguir.
Tempo de determinar o que será.

Escrever futuro em pena leve.
Desta minha'lma carente.
Lírica, carinhosa, entregue.
Muito animada por ser muito quente.

Ainda é tempo de enxergar...
Que as perdas não são só minhas, ouvir o que o coração diz.
Mas de quem não conseguiu me amar.
Também não soube como eu o faria feliz.

Ainda é tempo de levantar...
Da queda, depressão da rejeição,tecer nova teia .
E consigo até me perdoar.
De ser considerada um padrão de beleza feia.

Eu não choro mais minhas perdas, agradeço a experiência.
É tempo de saber aprender a superar.
O que não é profundo não tem consistência.
Nem pode me salvar.

Cleide Regina Scarmelotto



O Canto da Cunhã-Poranga

Canta cunhã-poranga
Que tarde já vai chegar.
A bela formosa tinga...
Na Ana-uá balança...

Canta minha cunhã
Teu canto vai acalmar.
Que o belo pyatã.
Te olha de outro lugar.

Canta por tuas portyras.
Também para nhandé-jará ...
Protege das queimadas
E Vem abençõar.

Espalha todo seu canto.
Pedindo proteção...
Daquele que é homem branco.
Que não tem coração.

Canta enquanto ele,
Não te viu cantar.
Pois até mesmo seu canto...
Ele vai querer roubar...
 
CUNHÃ PORANGA EQUIVALE À MOÇA BONITA
TINGA É FLOR bRANCA
ANA-UÁ-TRONCO DE FLORES BRANCAS.
PIATÃ= INDIO FORTE VIRIL
PORTYRAS SIGNIFICA FLORES
NHANDÉ-JARÁ- SIGNIFICA JESUS CRISTO

Cleide Regina Scarmelotto



A MORENA TRIGUEIRA


Homem que se vai.
Abraço que ficou aqui.
Numa tarde colorida, cai
Cor de açaí.
Com Jabá.
Cor de arara azul.
A cantar...

Mulher que fica.
Trigueira serteneja
A brindar a vida
Mesmo sendo uma peleja
Não chora mais a partida.
Só lamenta que seu abrir.
De boca, de pernas, de coração.
foi o verbo, prazer e sentimento a fluir.
Para seu bem querer.
Mas ele só prazer.

Filho que nasce sem pai.
Tarde que cai vermelha de sangue
Com a sombra e uma palmeira.
Parindo em baixo de um mangue
Que uiva no vento a dor da trigueira
Fértil terra de sementeira.
Sertaneja tem alma, tem corpo, verbo coração a trigueira.
Mas é somente chamada de mãe solteira.

Cleide Regina Scarmelotto



VOLTE PARA SUA TRUGUEIRA.


Volte para sua trigueira.
Balança mar em mim
Balança o coração assim
Amor e dor não rimam mais enfim.
Só pode ser A rima de prazer.
Até se doer ...
Dói gostoso este sofrer.

Balança uma palmeira
Balança a roupa da trigueira.
Estendidas nas paineiras.
Balança a saudade.
Ainda balança a vontade.
Ainda tem coração.
Paçoca de um pilão.
Café torrado na hora.
Amor selvagem na aurora.

E ainda tem
O balanço do trem.
Que se vai bem além.
Levar o meu bem.
Pra bem longe de mim.
Fazendo dor assim.
Das saudades gostosa.
Ainda tem um feijão.
Esperando pelo meu bem querer.

Ainda tem um coração.
Que balança sem querer.
Ainda tem a paixão.
Que balança todo este ser.
Volte trem que ainda tem
Uma trigueira desejando você.
E volta amigo amante.
Desiste deste mundo errante.
Não és mais principiante.
Ainda tem fogueira.
Ainda tem festança.
Meu olhar de criança. ..
A esperar teu corpo que no meu balança.

Cleide Regina Scarmelotto



MINHA FÊMEA ASSIM


Foi com espírito de ventos.
A magia das àguas.
O segredo de Iara,
Coração da mãe d'água,
Com meus isntintos de índia.
Meus laços de cipó...
Minha mata interior.
Que termina na praia
Meu pescador de fazer dó.
Que se solta da minha saia.
Se lançando no mar.
Pra pegar uns pescados.
E ganhar seus trocados ...
Para nos sustentar.

Foi com minha alma de flor.
Uma fogueira na areia.
Uma fogueira eu sou no amor
Que cantei meu canto de sereia.
Que dancei minha dança de cigana.
Me aproximei, te queimei com as chamas.
Pra provar meu furor.

Foi com espírito de tempestades.
E com toda voracidade.
Naquela praia deserta.
Instinto avassalador.
Sempre voraz em qualquer idade.
Que eu te dei meu amor.
Como um canto sem fim.
Minha fêmea interior, é assim.

Cleide Regina Scarmelotto



REVOADA POÉTICA


Um revoar pelo meus poemas.
Esta pureza do passarinho,
Mas não mudam os temas,
Amor; sentimento de iumcoração sozinho.

Asas gigantes nos meus imensos sonhos.,
Arco-íris brilhante das minhas divagações,
Homens distantes daquilo que componho,
Homens de olhos cheio de canções,.

Voe pássaro bonito,faça verão,
Na minha alma poeta,
No ritmo de asas faça canção..
Com palavras de minh'alma liberta.

Prove destemido o gozo deminhas emoções.
Por muitas luas, e pelo templo da alvorada,.
Ouça sem preconceitos os gemidos de minhas dimensões
Que são sempre sonhadas de madrugada.

Cleide Regina Scarmelotto



AGORA VOCÊ NÃO ME QUER MAIS

Agora que você não quer...
Então te ouvirei em todo lugar.
Com a saudades de mulher,
No chocalho maracá
O teu som vou escutar.
Vou te sentir
No canto do sabiá.
Na folha do mururé
Vou te ouvir no pandeiro
Ou pela sombra do açaisal
E te querer, aventureiro
Sem nunca te fazer mal

Se não é chuva, não é
Também não vou lacrimejar
Agora você não quer...
Tua melodia vou escutar
No saculejar da casca do Sassafrás
Que vontade de chorar.
Será a pena de um papagaio?
Será a pena que a gente tem
Será brilho de um raio?
Serás enfim, o meu querer bem.
Sem fim?
Teu canto trago no peito
E ouço Brasil inteiro.
Porque agora,
Sua voz doce já mora
Dentro de mim

Cleide Regina Scarmelotto



TREM DAS HORAS

Tempo, senhor da razão,
È um trem de anseios,
Sem rimas e freios,
Apenas o tempo,
Que passa na estrada.
No tempo da chuva,
No tempo da àgua,
No tempo da praga,
No tempo da terra,
E o tempo da flor,
No tempo do amor,
É quando nasce o sol,

Na hora das trévas,
Aurora se espera,
No trem que sem tréguas
Percorre esta terra,
Chamada ansiedade,
Sabor de desej0s,
De muitas vaidades

Apressa este tempo
Pra que chegue logo
Ou segura esta hora
Pra nunca ir embora,
O momento de amor,
Que por nada troco,
Que não é só desejo.

Trem mais ingrato,
Me devolva o passado,
De que tenho saudades,
Leve em trilhos de aço,
A tristeza indo embora,
De perder mocidade...
Num som metal-estilhaço,
Responde à vida que chora,
Num balanço e cansaço
Que tudo tem hora.

Cleide Regina Scarmelotto


.

UM TEMPO COM VOCÊ

Me deixastes ser novamente uma guria,
Com amoras na barra do vestido,vermelho na boca,
Me chamas sempre de moça, me tratas como menina.
E neste sorriso tímido das fantasias se envergonha...

Hoje a chuva molhou meus ipês,minhas azaléias,
Fazendo-me rememorar o suor em seus cabelos e na fronha.
Não deixando amargura, nem permitindo-me chamar de velha.
Contigo acho realejo,tiro a sorte ganho flor roubada.

E me beijas a mão de maneira erótica e respeitosa....
É capaz de namorar,bom moço, no banco da praça.
E belinho e calminho me trata como uma rosa.

Me sinto uma árvore e seus misteriosos segredos,
Que vive do céu e do subsolo ao mesmo tempo,
Traço uma lista de agradecimentos,
Que jamais se perderão no vento.
Exageradamente feliz te dou meu avêsso.

Cleide Regina Scarmelotto



SAUDADES

Aqueles dias ócios de ternura...
Chegaram voluptuosos e macios,
Pareciam longos de chuvas...
Mas eram quentes naquela companhia ,
Nos longos dias frios,

Onde escurecia rápido o dia.
Eu trago um verso vaporoso, na dor
Que se escapa, na calada da ilusão...
E busco um instante de paz e côr,
Na nobre generosa emoção.

A tinta prata do luar escorre,
Na tinta vermelha do meu coração...
Espera viva na claridade que morre,
Pelo sol vermelho da imensidão...

Cleide Regina Scarmelotto



PAIXÃO BRASILEIRA

Não há pertencer,
Há este querer bem,
Não há como não querer,
Mas ninguém é de ninguém.
Existe uma felicidade,
A espera, uma ariana,
Guardada tanta vivacidade...
Da alma que muito ama,

Não vê o cristal?
E tantos segredos...
Sorrisos, cumplicidade, aval...
E tantos lindos desejos,
Não vê quanta poesia?
Nasceu do nosso amor?
E quanta melodia...
Nascendo de tua alma como flor?

Agora tem mais céu, mais luar.
Tem vaga-lume brilhando mais,
E tantas aves a cantar,
Rio correndo em paz,

Tem nascente em mim,
De águas cristalinas,
Um canto de sereia sem fim,
Nos olhos de menina,

Tem sol em você,
Brilhando para a felicidade,
De muito bem querer,
De ser amado de verdade

Cleide Regina Scarmelotto



VENHO DO BRASIL

Venho de longe
Tenho nas mãos.
Os meus sonhos,
Venho de onde,
Tem linda canção
De bosques risonhos.
De amores vividos,
Da beleza interior.
E não se acabará
Almejo coração,querido.
Que se achegará.
No aconchego do meu amor..

De onde eu venho...
Não amo casca.
Amo coração.
Rios,prais natureza,matas,
É tudo que eu tenho
E idéias não castas,.
De amor e de paixão.

Cleide Regina Scarmelotto



ALMA SERTANEJA

Alma sertaneja.
De esfera lua...
Olho que pestaneja.
A espera tua,
Alma Nua.

Vaga-lume amor sem ciúmes.
Brilho verde,inseto majestoso,
Ilumina a flor,acende.
Faz inveja ao sapo viscoso
Que não tem seu esplendor...
Canta grilo,noite quente.
Atravessa a melancolia...
De querer teu corpo quente.

Pra depois ficar fazendo poesia Solitária, carente.
Que noite de estranha primavera é essa?
Que meu desejo atravessa...
Noite setaneja em silêncio
Onde céu estrelado
Em cheiro de mato e Natureza...
E no meio de tanta beleza...
A tua beleza não vejo.
Choro sua ausência em dor.
Espero conseguir seu amor.

Cleide Regina Scarmelotto

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HISTÓRIA DE DOIS PASSAROS

Havia resolvido, na hora sofrida, No momento de dor,
Ser adorável,com todas as coisas e com a vida
Com a noite , com o dia,com meu amor,
Com quem me detestava me chamando de querida.
Ser com o frio e com o calor, com os animais
Com as flores,Com as crianças, com tudo e com minhas rivais.

Mas não eram rivais do homem que eu amava,amando somente eu estava.
Que amava outra, que amava outro,outra quem a meu homem amava
Que não era meu homem, porque nada me pertencia nada a vida me dava.

Não era meu, nem nunca seria nem eu mesma era minha, e eu conquistava.
O direito de ser feliz, o direito apenas de estar,
Feliz ao lado de quem eu tanto desejava,
Que não conseguia me amar,
Como a ele eu tanto amava.

Ele solto eu presa no ninho,
Queria a fêmea que pudese voar,
Eu cuidava de outros filhotinhos..
E presa ouvia ele cantar.

Cleide Regina Scarmelotto



A LAGOA

Eu chorei lá na lagoa,
Por todos seus afogados,
Mas tambérm chorei por uma pessoa,
Que me abandonou no passado.

Quase morri naquelas águas.
Mas foi mais de amor do que de afogada.
Hoje Quase morro de mágoas. Porque do meu matreiro, sobrou nada.

Ele vinha sempre de madrugada
Todo pomposo de roupas brancas como o luar.
Me amava, me chamando de bela amada.
Até o dia clarear.

Até que uma cabocla maliciosa,
Prendeu o coração do menino,
Minhas entranhas bem sequiosas,
Choraram de soluçar meu destino,

Guardou minhas alegrias,
Meus sonhos, meus segredos,
Marcou muitas vidas,
E deixou saudades, soluços e medos.

Cleide Regina Scarmelotto



Passarada

Bem-te-vi cantou faceiro.
Me avisando das saudades.
Vejo os teus olhos no mundo inteiro
Meus olhos esboçam vontades

Na janela sussurrou azulão.
Que ilusão não adentra mais na tapera,
Mas ainda tem tanto de vocênomeu coração.
Fazendo despertar a primavera...

E na chuva dançava a andorinha.
Mostrando a beleza do amor,
Rememorando aquele dia...
Em que você me ganhou

Cleide Regina Scarmelotto



CHORA MANHÃ DE PRIMAVERA

Chora manhã de primavera...
Chuva regando a flor,
Chora mágoas caindo por terra,
Por jogar fora o mais puro amor...

Novas sementes estão nascendo,
sempre haverão novas flores...
As antigas vão morrendo
Vão brotando verdadeiros amores...

As pérolas disperdiçadas.
Voam com as pétalas,ao vento
Não bebo pra esquecer as mágoas...
Apenas não vou mais disperdiçar meu sentimento.

Apenas encaro e enfrento
Com novas flores não esmoreço
Apenas não entendo...
Pra quê o desprezo.
Por nobres sentimentos.

Cleide Regina Scarmelotto



SONHO PESCADOR

Eu quis ver o belo pescador de barca bela,
Passar na tranqüilidade azul.
Quisera roubar seus triceps para minha tela.
Quisera ser bela como tua barca e pescada feito sereia.
Amar-te bela na sua areia.

Eu quis o branco de sua rede, para minha novela
Eu quis o agito do mar para seu coração.
Eu quis guardar o mistério do tempo, mas não tinha as mazelas.
Eu quis as madeixas de princesa do mar.
Mas as minhas estavam velhas...
Somente para conquistar.
Meu maior sonho meu pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Mesmo sem os encantos, sereias.
Afeto e canto das baleias.
Não quis ver sugado pelo toque do trovão.
Deita o lanço com cautela,
Que a tua amada canta bela...

Mas cautela, meu pescador cantador,
Não se enrede a rede nesta,
Que é tão carente de amor.
Que perdido é remo e vela,
Só de ver-te,Oh pescador.
Pescador da barca bela,
Foge desta que tanto deseja seu amor.
Inda é tempo, foge desta,enquanto seu barco não naufragou.

Cleide Regina Scarmelotto



Amor

Nas saudades vão lembranças tantas.
Na canção teu amor vivendo em mim,
No prazer que tivemos nas surdinas quantas,
Nestas coisas do amor que não tem mais fim.

E vaga meu espirito saindo de meu corpo,
Busca a paz sem você comigo,
Reflete a infantilidade de seu rosto,
Procura um novo abrigo.

Espiríto silente, vagando no silencio dos monges,
Canto dos pássaros,na casa de palha, no ninho.
No dia de sol, na tempestade também,nos montes.
Na dor de quem já sabe ser feliz sozinho

Na cor sugestiva do vinho,
Passeia meu espirito silente,
Com saudades de seu carinho.
Quando estás ausente....

Na paisagem verde à minha frente,
Passeia meu sentimento em flor,
Alegre, confiante, contente,
Por ser apenas amor.

Cleide Regina Scarmelotto



AMOR ENLUARADO

Veio a lua rasgando para me chamar.
Mostrava na janela coisa bonita de se ver.
Por enquanto era só folha, que virou flor.
Que foi meu fruto, que virou um amor.
Um amor de lá.Que caiu cá.
Na paz das águas boaiva a flor.
Navegou e veio me perfumar.
No galho da saudade nascia amor.
Rasgou a lua nocéu e caiu no cheiro do Mato,
Nas asas de um pássaro, na rede, na voz de um cantor.

Veio o véu noturno.
Me cobrir com um manto.
De um garoto soturno.
Que me encheu de encantos.
Veio ligeiro num canto.
De sabiá e beija-flor.

Veio o luar.E me fez despertar...
Para a cantiga do acordar.
Acordar para vida.
Para os frutos do sabor.
Os perfumes da doce flor.
O mel da selva.
O sexo da relva.
Uma vida estradera.
Um banho de cachoeira.
Ao luar...

Cleide Regina Scarmelotto



╬ LUTO PELA Natureza╬

Silêncio, escute a voz da canção dos ventos.
Ele diz: a natureza está morrendo.
Escute o chorar do espirito das matas.
A lamentar devastações de pessoas ingratas

Veja as lágrimas escuras dos rios a derramar o mau cheiro.
O desarranjar do clima e do tempo.
Quanta gente morrendo nas enchentes.
Silêncio, tente ouvir.
O que canta a lamentação dos ventos.

A implorar pela limpeza do ar.
Mas os piores surdos não querem escutar
a natureza o querer.
E os piores cegos não querem ver.
Recicla não reclame.

Ouça a voz das águas a rolar.
Ou deixe a Terra ou a ame.
Porque se deixar, você também vai morrer.
De nada adianta protestar.
Esperando seu vizinho realizar o que você não quer fazer.

Cleide Regina Scarmelotto



NADA ME PERTENCE

Nada me pertence,
Hoje com isto tenho calma.
Nem meus cabelos...
Nem seu coração, nem minha alma.
Nem meus pêlos, não adianta apelos.
Nada pertence deste destino descontrolado.
Que navega pelo tempo.
Chora o amor não vivido e pisa em campo minado.
Ainda guarda o efeito da juventude em pensamentos.
E pensa ser, como era no passado.
Um olhar me diz:Não és mais como era antigamente.
Mas ainda sei fazer alguém feliz.
Mais ainda, porque sou mais inteligente.
Vim navegando os mares da agonia.
Também passei pelos mares do prazer.
Vim desabafando as dores na poesia.
Vim vivendo o que de alegria teve em meu viver.
Nada me pertence, nem nunca pertenceu .
Nem meus filhos, nem meus homens, nem minha vida.
Mas navego em mares do meu eu.
Sabendo que quem eu amo ainda,não ser um objeto meu.
Não nasceu pra satrisfazer meus desejos.
Ando sempre a me doar.
Isto é amar, paixão deseja receber os afetos e beijos.
Amor deseja somente dar.
Nada me pertence
Mas algo é muito meu, mesmo sem me pertencer.
Este amor que não vence.
Sentimento de bem querer

Cleide Regina Scarmelotto



APRENDO OS CAMINHOS

São tantos os caminhos,cachoeiras,jardins labirintos.
Me perco e me acho,mas nem sempre chego no meu querer.
Ninguém sabe o que eu sinto nem o que eu pressinto...
Que por mais que pareça me achar, estou a me perder..
Ás vezes choro e sigo, nem sei mais o que trilho...

Se a gente faz amor,bem sei que me perco,na euforia que me causa.
Na sua brsvez engrçada, na sua risada, em seu brilho.
Na sua mania de provocar inocentes traumas,
De me dar e tirar felicidade, me deixando sem nada.

E depois devolver meu mundo.
Devolver meus sonhos,minhas divagações.
Botar no lugar exatamente tudo...
As âncoras do meu barco,meu chão,minhas indagações.

As nuvens, os pássaros, segredos, desejos e contudo
Me jogas cada vez mais para as estradas do mundo,
Dizendo siga,viva,dance,faça amor,brilhe,aproveite,vai,agora viva!
Entre saliências,e reentrâncias revirando meu sujeito oculto.
Esbanjando,devolvendo a alegria e me devolvendo a vida.

Cleide Regina Scarmelotto



PAIXÃO

Espelho do meu prazer..
Já nem me importa saber,
Qual das quinhentas mil faces.
Esta paixão possa ter.
E omeu ser delirante
Achou que jamais se acabaria este instante.

Espelho da minha dor.
Foi levando o segredo de eros.
Me deixando quase sem psiquê.
E uma madrugfada de ecos
Não ecoava o porque...

Que estranha madrugada é esta?
Que minha'alma atravessa?
Mas mostrou por fim um espelho
Quer era a face de um dragão vermelho.

Se camuflando com o meu coração,
Seus ecos de uivos brilhantes,
Tornou meu corpo pulsante,
E toda consumação...
Era um velho e forte dragão errante
Dentro de mim chamado paixão.

Cleide Regina Scarmelotto



OS MORTOS TÊM MEDO DE MIM


Sou quente, sou viva e vivo coisas maravilhosas.
Assusto fantasmas, demônios fogem de mim.
Tenho fé,meus mortos temem,meu ser vivo!
Pobres deles que sem corpo,invejam esta flor que goza...

As maravilhas do viver sem fim.
Sou gente, não vivo de prosas.
Aproveito cada chance que dão para mim.
Transformo em coisas lindas as coisas, antes horrorosas...

Reciclo tudo, tudo enfim.
Durmo em paz e feliz, depois de tudo fazer.
Os mortos é que têem medo de mim.
Porque não podem me satisfazer.

Cleide Regina Scarmelotto



FELICIDADE

Felicidade vem com cheiro de chuva no ar.
Vem com cheiro de terra molhada.
Com a sensação de entrar no mar.
E de ver a revoada da passarada.
Embalar um bebê com cantigas de Ninar.

Colher frutos que plantamos.
Dormir abraçados quando amamos
Ouvindo um coração.
Ver flor nascer na Janela.

Ouvir um Coração bater por mim, que nuncame esqueceu .
Ter um coração meio profeta...
Amar um filho do outro como se fosse meu.
Comtemplar o amor da morena e do poeta.

Viver um amor sem fim.
Rodar na imensidão da estrada...
Arriscando-se na madrugada.
Só pra ver este sorriso.
Tão raro e preciso, raridade.
Traduzir minha fala como encontrar felicidade!.

Cleide Regina Scarmelotto



AMIZADE

Amizade quem não tem?
Não sabe o que é ser feliz.
Quando um amiguinho vem.
Alegria, alegria, o coração diz.

Tudo sempre tem um jeito.
Na amizade nota cem.
Mesmo que você tenha defeitos.
Seu amigo também tem.

Mas com um sorriso se vence os defeitos.
Na amizade que é coisa boa.
Com abraço se quebra os preconceitos.
E os defeitos se perdoa.

Na amizade é coisa certa.
Praticar o companheirismo e perdão.
Para lealdade a porta aberta.

(para o amigo, a porta aberta do coração)

Cleide Regina Scarmelotto



PERDER O AMOR ETERNO


Busquei beleza neste perder.
A beleza porque?para me conformar.
Busquei suportar sua infinita ausência.
E chamar de aprendizado esta experiência.

Do desagregar do nosso tempo.
Porque a harmonia voltará.
O eterno se conformar.
Equilibra pequenas partes
Da realidade de amar.
E não ser amada.

Fez-me de desequilibrar...
Quando parecia não existir mais nada...
Você me sorriu com aquele olhar de amor.
Seria você um bom ator?
A duvida o contratempo
E minha voz virou:

Lamentos agudos de um soprano ao vento.
Minha alma notas graves de um piano
De tanto que meu eu inteiro chorou...
Antes amar era uma arte
Hoje foi um desarranjar as partes
E pra amar ficou muito tarde.

Cleide Regina Scarmelotto



NOVO AMOR CORRESPONDIDO

Troquei o celular pelo sinal de fogo
E a pedra pela montanha da saudade
A noite segunda de amor, no meio de tudo, acabou com o jogo
A sina da minha vida se transformou em raridade.
Nem a sina mais me queria
E por acaso vim no raiar do dia:
Chamar-te para ouvir meu silêncio raro.
No dia da grande manhã perdida.

Morrem os sonhos de antes nasce em mim nova vida
Todos meus movimentos são do amor?
Brindo meu resto de sal
Que estancou minha dor.
Fico quase sobrenatural,
Diante deste amor perfeito!
Que insiste em meu jardim!

E a paixão do ano do passado...
Ficou pequenina diante deste que sol que renasce em mim.
Ele vem com relógio dourado,contando horas que esperava por mim . . .
Ele juntou os cacos de meu coração.
E para consolar minha dor, transformou meu chorar em uma nova canção.
Hoje canto minha dor, pra acalmar minha aflição

Cleide Regina Scarmelotto



SENTIMENTO PROIBIDO


Tenho um sentimento entre as pernas, entranhas.
Há anos que tento pari-lo, parti-lo de mim.Ele não se desgarra.
Curiooso ele me assombra o sono,ée coisas estranha...
Perder este sentimento medonho.
Maior que possa caber no meu coração,
Mmaior que meus sonhos,
Maior que meu medo,maior que minha dor.
E meassombra perder o sentimento de amor...
Amor que dissimulo ser paterno...
Amor que disssimulo ser fraterno.
Nada tem de àgape, só tem de eros.
Sou eterna Lolita com um homem de trinta!
Sou o padre e a mulher.
E o que mais à mente tilinta...
É o que meu sentimento quer.
Não tem controle esta quietude...
Só me resta controlar as atitudes.

Cleide Regina Scarmelotto



QUERO SER

Na sua passagem da vida.
Quero ser flor serena na janela.
Majestosa que encanta e perfuma o mundo.
Com simplicidade inocente.

Ser o mar que se agita.
Arrasta o meu corpo quente.
De pensamentos brandos.
Ser a mulher que fica.
Com lenço branco acenando.
Ser eu mesmama música de minh'alma.
Para poder cantar minha dor.

Mas sem lamentos, cantar com calma.
Sem neuroses de rimar dor com amor.
Quero ser tudo que é sonho.
Talvez sem nunca chegar a ser...
Entre a realidade e a fantasia.
Criar meu mundo na poesia.
Voluntarioso por te querer!

Cleide Regina Scarmelotto